Tenho orgulho da minha herança. Tenho orgulho de ter tido Durotan e Draka como pais. E de Orgrim Doomhammer ter me chamado de amigo e me confiado a liderança do povo que amava.
Orgulhoso da coragem dos meus pais...e ao mesmo tempo, gostaria que pudessem ter feito mais. Mas não passei pelo o que passaram. É fácil agora, numa posição segura e confortável da minha vida, décadas após o ocorrido e dizer “Deveria ter feito isso.” ou “Deveria ter dito aquilo.”
Julgo apenas alguns indivíduos que sabiam bem o que estavam fazendo, que estavam trocando a vida e o destino de seu povo por uma recompensa momentânea. E o fizeram de bom grado.
Quanto aos outros...posso apenas balançar a cabeça e agradecer por não ter sido forçado a fazer as escolhas que fizeram.
Gul’dan estava tão ansioso que mal conseguia se conter. Estava esperando por esse momento desde a primeira vez que Kil’jaeden mencionou. Tentou apressar seu mestre, mas este apenas sorriu e pediu paciência.
“Ainda não estão prontos. Aprenda a esperar, Gul’dan. Um golpe dado cedo ou tarde demais não mata, apenas machuca.”
Gul’dan achou estranha a metáfora, mas entendeu o que seu mestre quis dizer. Mas finalmente os orcs estavam prontos para a última etapa.
Havia um pátio central no Templo Negro que era descoberto. Quando pertencia aos draenei, essa área tinha um jardim exuberante, com uma piscina no meio. Nas últimas semanas os orcs beberam a água doce e pura, não se importando em reabastecê-la e agora deixando um espaço vazio com pedras e ladrilhos. As árvores e flores que rodeavam a piscina haviam murchado e morrido com uma velocidade espantosa. Ner’zhul e Gul’dan esperavam ao lado da piscina vazia a pedido de Kil’jaeden. Nenhum deles fazia ideia do que esperar.
Ficaram em total silêncio por várias horas e Gul’dan se perguntou se havia desagradado seu mestre. Esse pensamento o fez começar a suar frio e olhou nervosamente para Ner’zhul. Ficou mais animado ao imaginar que talvez hoje o xamã rebelde fosse morto.
Perdeu-se em devaneios, fantasiando vários tormentos que poderiam ser aplicados a Ner’zhul quando um súbito estalo de um trovão os fez arfar. Gul’dan olhou para o céu; onde antes abrigava inúmeras estrelas agora havia apenas escuridão. Engoliu seco, olhando fixo as trevas.
De repente a escuridão começou a agitar-se. Parecia uma nuvem negra pulsando, e então começou a formar um redemoinho que aumentava a velocidade a cada momento. O vento primeiro levantou levemente os cabelos e vestimentas de Gul’dan, mas depois ficou tão forte que o sentia esfregando sua pele. A terra tremeu e do canto do olho pôde ver Ner’zhul falando alguma coisa, mas não conseguia ouvir nada. O barulho da ventania estava alto e a terra sacudia mais intensamente sob seus pés.
O céu se abriu.
E algo brilhante e ardente despencou na terra em frente à Gul’dan e Ner’zhul. Atingiu o chão com tanta força que o bruxo foi jogado para trás. Por um longo e aterrorizante minuto, não conseguiu respirar; ficou apenas se debatendo no chão como um peixe até seus pulmões voltarem a funcionar e finalmente inalar uma grande quantidade de ar.
Ficou de pé, seu corpo tremia sem controle e perdeu o ar de novo quando viu a coisa.
Era muito maior do que ele. Quando mexia suas quatro patas, pedaços de terra voavam e batia as asas, irritado. O cabelo parecia uma juba que fluía em cachos verdes sobre seu pescoço e torso. Os olhos verdes brilhavam como estrelas e ao abrir a boca suas presas podiam ser vistas na luz fraca. Parecia ter uma fileira de dentes afiados e Gul’dan quis cair de joelhos e chorar de medo ao ver a parte inferior do ser. Este, cerrou os punhos, baixou a cabeça e olhou para os orcs amedrontados.
O que é aquela coisa? gritou Gul’dan, em silêncio.
E Kil’jaeden apareceu de repente, olhando e sorrindo para o bruxo.
“Contemplem meu tenente, Mannoroth. Tem me servido bem, e assim continuará. Em outros mundos é conhecido como o Destruidor, mas aqui ele é o salvador. Gul’dan,” ronronou KIl’jaeden , fazendo-o sentir-se débil e fraco de novo. “Você sabe o que estou oferecendo para seu povo.”
Gul’dan engoliu e não se atreveu a olhar para Ner’zhul, mesmo sabendo que o antigo mestre o observava pelas costas.
Sabia o que ele estava oferecendo. Poder além do imaginável...e escravidão eterna. Kil’jaeden ofereceu o primeiro a Ner’zhul pelo segundo, mas o covarde recusou. Não quis condenar o seu povo.
Gul’dan não tinha esse tipo de escrúpulo. Só pensava na recompensa que havia sido prometida.
“Sei sim, Grandioso.” disse surpreso com a firmeza da sua voz. “Sei e aceito a oferta generosa.”
Kil’jaeden sorriu. “Ótimo. É mais sábio que seu antecessor.”
Confiante e alegre virou-se para encarar seu antigo mestre. O xamã olhava-o implorando. Não se atrevia a falar, mas não era necessário, mesmo a luz fraca das estrelas, sua expressão dizia tudo.
Os lábios de Gul’dan curvaram em suas presas e virou-se para encarar Mannoroth, pois a sede por poder fez seu medo diminuir. Fitou a criatura sabendo que, como ele, era tida em alta estima para com o ser que ambos serviam. Eram irmãos de armas.
“Apenas uma lâmina especial pode fazer o que lhe peço, Gul’dan.” retumbou Kil’jaeden. Estendeu as mãos e a adaga era pequena em comparação com a palma gigante na qual repousava. Quando Gul’dan a pegou percebeu que era grande.
“Foi forjada na lava da montanha que lá jaz,” continuou, apontando para a montanha fumegante. “Meus servos trabalharam duro para criá-la. Você sabe o que fazer Mannoroth.”
A criatura concordou balançando a cabeça. Usando a cauda para equilibrar-se, ficou sob as patas traseiras e esticou o braço. Virou a palma para cima, mostrando a parte mais macia do pulso.
Gul’dan hesitou por um momento. E se fosse algum truque ou teste? E se Kil’jaeden não queria que fizesse isso? E se falhasse?
Será que Ner’zhul estava certo?
“Gul’dan, Mannoroth é conhecido por muitas qualidades. Paciência não é uma delas.” disse Kil’jaeden.
A criatura rosnou de leve e seus olhos verdes brilharam. “Estou ansioso para ver o que acontecerá. A todo o seu povo...Faça!”
Gul’dan engoliu seco, levantou a lâmina, mirou sua ponta cintilante na carne exposta de Mannoroth e fincou a adaga o mais forte que conseguiu. Mannoroth urrou de dor e golpeou Gul’dan, jogando-o longe. Levantou a cabeça um pouco zonzo tentando enxergar algo.
Fogo líquido jorrou da ferida, brilhando um amarelo esverdeado doentio ao ser derramado na piscina dos sacerdotes. A lesão era minúscula em comparação com o tamanho do corpo de Mannoroth, mas o sangue fluía gradualmente como uma cascata. Percebeu então que o fraco Ner’zhul chorava. Mas não conseguia tirar os olhos do sangue impuro, vertendo sem parar da criatura que ainda bradava de dor. Levantou e andou até a borda da piscina, tomando cuidado para não tocar no fluido que era expelido pela ferida que ele mesmo havia feito.
“Eis o sangue do Destruidor,” regozijou-se Kil’jaeden. “Consome tudo que não lhe serve. Expurga toda a hesitação, confusão ou incerteza. Cria um apetite que pode ser direcionado conforme desejar. Seu pequeno fantoche acha que lidera a Horda, mas engana-se. O Concílio das Sombras acha que lidera a Horda, também se enganam.”
Gul’dan tirou os olhos do líquido verde brilhante para olhar seu mestre.
“Gul’dan...em breve você será o líder da Horda. Estão prontos. Estão sedentos pelo o que dará a eles.”
O bruxo voltou à atenção para o líquido.
“Invoque-os. Sacie essa sede...e estimule seu apetite.”
Sabia o que ele estava oferecendo. Poder além do imaginável...e escravidão eterna. Kil’jaeden ofereceu o primeiro a Ner’zhul pelo segundo, mas o covarde recusou. Não quis condenar o seu povo.
Gul’dan não tinha esse tipo de escrúpulo. Só pensava na recompensa que havia sido prometida.
“Sei sim, Grandioso.” disse surpreso com a firmeza da sua voz. “Sei e aceito a oferta generosa.”
Kil’jaeden sorriu. “Ótimo. É mais sábio que seu antecessor.”
Confiante e alegre virou-se para encarar seu antigo mestre. O xamã olhava-o implorando. Não se atrevia a falar, mas não era necessário, mesmo a luz fraca das estrelas, sua expressão dizia tudo.
Os lábios de Gul’dan curvaram em suas presas e virou-se para encarar Mannoroth, pois a sede por poder fez seu medo diminuir. Fitou a criatura sabendo que, como ele, era tida em alta estima para com o ser que ambos serviam. Eram irmãos de armas.
“Apenas uma lâmina especial pode fazer o que lhe peço, Gul’dan.” retumbou Kil’jaeden. Estendeu as mãos e a adaga era pequena em comparação com a palma gigante na qual repousava. Quando Gul’dan a pegou percebeu que era grande.
“Foi forjada na lava da montanha que lá jaz,” continuou, apontando para a montanha fumegante. “Meus servos trabalharam duro para criá-la. Você sabe o que fazer Mannoroth.”
A criatura concordou balançando a cabeça. Usando a cauda para equilibrar-se, ficou sob as patas traseiras e esticou o braço. Virou a palma para cima, mostrando a parte mais macia do pulso.
Gul’dan hesitou por um momento. E se fosse algum truque ou teste? E se Kil’jaeden não queria que fizesse isso? E se falhasse?
Será que Ner’zhul estava certo?
“Gul’dan, Mannoroth é conhecido por muitas qualidades. Paciência não é uma delas.” disse Kil’jaeden.
A criatura rosnou de leve e seus olhos verdes brilharam. “Estou ansioso para ver o que acontecerá. A todo o seu povo...Faça!”
Gul’dan engoliu seco, levantou a lâmina, mirou sua ponta cintilante na carne exposta de Mannoroth e fincou a adaga o mais forte que conseguiu. Mannoroth urrou de dor e golpeou Gul’dan, jogando-o longe. Levantou a cabeça um pouco zonzo tentando enxergar algo.
Fogo líquido jorrou da ferida, brilhando um amarelo esverdeado doentio ao ser derramado na piscina dos sacerdotes. A lesão era minúscula em comparação com o tamanho do corpo de Mannoroth, mas o sangue fluía gradualmente como uma cascata. Percebeu então que o fraco Ner’zhul chorava. Mas não conseguia tirar os olhos do sangue impuro, vertendo sem parar da criatura que ainda bradava de dor. Levantou e andou até a borda da piscina, tomando cuidado para não tocar no fluido que era expelido pela ferida que ele mesmo havia feito.
“Eis o sangue do Destruidor,” regozijou-se Kil’jaeden. “Consome tudo que não lhe serve. Expurga toda a hesitação, confusão ou incerteza. Cria um apetite que pode ser direcionado conforme desejar. Seu pequeno fantoche acha que lidera a Horda, mas engana-se. O Concílio das Sombras acha que lidera a Horda, também se enganam.”
Gul’dan tirou os olhos do líquido verde brilhante para olhar seu mestre.
“Gul’dan...em breve você será o líder da Horda. Estão prontos. Estão sedentos pelo o que dará a eles.”
O bruxo voltou à atenção para o líquido.
“Invoque-os. Sacie essa sede...e estimule seu apetite.”
A trompa que acordava e convocava a Horda para o pátio já estava se tornando familiar. Durotan não havia dormido; já não dormia há algum tempo. Draka e ele levantaram e se trocaram em silêncio.
De repente, escutou-a suspirar depressa. Virou-se e viu que encarava-o com os olhos arregalados.
“O que houve?” perguntou.
“Sua pele.” respondeu silenciosamente. Olhou para seu peito descoberto. A pele estava seca e descascando e ao coçar, a pele embaixo parecia...verde. Lembrou-se de ter visto o mesmo no jovem Ghun há pouco tempo.
“É apenas a luz,” disse tentando convencer a si mesmo. Não seria fácil acalmá-la. Levantou seu braço e coçou e a pele também estava verde. Voltou seus olhos para o companheiro. Não era um truque da luz, ambos viram.
“O que está acontecendo conosco?” Draka perguntou.
Durotan não tinha uma resposta. Continuaram a se vestir em silêncio e ao sair, seus olhos percorreram seu braço, e o estranho tom esverdeado escondido embaixo da armadura de metal.
O anúncio da reunião havia sido dado na tarde anterior durante um treinamento com orcs mais jovens. Durotan não se acostumou a ver crianças, que alguns meses atrás mal podiam andar, agora manejavam espadas e machados com extrema habilidade. Pareciam alegres com a nova condição, até mesmo satisfeitos, mas Durotan lutava contra a vontade de balançar a cabeça toda vez que os via.
Durotan já não conseguia nem ficar curioso sobre a próxima missão. Seria o mesmo que antes – matança, fúria, violação de corpos. Recentemente até corpos de orcs foram deixados onde haviam caído, as armas e armaduras tomadas para ser usado em quem sobreviveu. Ás vezes algum amigo ou familiar abaixava em reverência em frente ao corpo, mas estava acontecendo com cada vez menos frequência. A época em que os corpos dos mortos honrados eram trazidos e colocados na pira e seus espíritos enviados cerimonialmente para os ancestrais havia acabado. Agora não havia tempo para rituais, ou piras, ou ancestrais. Não havia tempo para os mortos. Não havia tempo para nada além de massacrar draenei e consertar armas a armaduras para que a Horda continuasse sua tarefa.
Olhava com indiferença para o pátio enquanto esperava as ordens. Blackhand andou com seu lobo até os portões da Cidadela, onde podia ser visto por todos. Ventava muito, e como não havia nada para bloquear o vento, os estandartes dos clãs agitavam-se violentamente.
“Temos uma longa marcha a nossa frente,” gritou Blackhand. “Foram instruídos a levar suprimentos e espero que tenham obedecido. Guerreiros, armadura polida e armas prontas. Curandeiros levem seus medicamentos, poções e bandagens. Mas antes de marcharmos para a guerra, marcharemos para a glória.”
Levantou a mão e apontou a sombria montanha distante, que se projetava no céu e soprava fumaça negra.
“Será nosso primeiro destino. Subiremos até a montanha...e o que acontecerá lá será lembrado por milhares de anos. Será o tempo no qual os orcs conhecerão poder que nunca antes provaram.”
Parou para que pudessem processar o que foi dito e ficou feliz com o murmúrio causado.
Durotan ficou tenso. Então...seria hoje...
Conhecido por não falar mais do que era necessário, Blackhand terminou o discurso com, “Vamos!”
A Horda avançou ansiosamente, curiosa e animada com as palavras do seu chefe. Durotan olhou rápido para Draka, que acenou em apoio ao seu plano. Finalmente, forçando para mover-se, ele seguiu, pego pela maré de orcs.
A meio caminho da montanha havia uma trilha íngreme e estreita que levava a um grande platô. Para Durotan, era como se esse pedaço tivesse sido cortado com uma espada, de tão anormal. Arrepiou só de pensar. Nos últimos dias, nada de natural aconteceu na vida dele. Três grandes placas de pedra negra e polida estavam parcialmente encaixadas no chão, dispostas em sequência. Eram, ao mesmo tempo, belas e sinistras. Os orcs estavam cansados depois da subida sob o sol forte, vestidos com armadura e carregando suprimentos e tentou encontrar alguma lógica nisso. Não parecia racional deixar os guerreiros exaustos pouco antes da batalha. Talvez ela fosse acontecer na manhã seguinte, depois de descansar.
Para sua surpresa, logo após todos estarem acomodados e quietos, quem começou a falar foi Gul’dan, e não Blackhand.
“Não faz muito tempo que éramos um povo disperso.” começou o bruxo. “Reuníamo-nos só duas vezes ao ano apenas para cantar, dançar, tocar tambor e caçar.”
Disse essas palavras com desdém. Durotan baixou a cabeça. Os clãs se reuniam durante festival Kosh’harg fazia séculos. Não era algo tolo, como estava implícito pelo tom de voz de Gul’dan, mas sagrado e poderoso. Prevenia ataque entre os clãs, mas, pela reação dos orcs a sua volta , parecia que havia acontecido há décadas. Eles também grunhiam em reprovação e balançavam a cabeça, envergonhados. Inclusive aqueles que haviam sido xamãs.
“Olhe para nós agora! Estamos lado a lado. O clã Laughing Skull junto ao Dragonmaw; Thunderlord junto ao Warsong. Todos sob uma liderança forte e perspicaz de Blackhand – escolhido por vocês para unifica-los. Por Blackhand!”
Gritos de satisfação ecoavam pela plateia. Durotan e Draka ficaram em silêncio.
“Ante sua orientação sagaz, e benfeitoria dos seres que escolheram aliarem-se a nós, estamos fortalecidos. Tornamo-nos mais gloriosos. Nos últimos dois anos, progredimos mais em habilidade e tecnologia do que em dois séculos. A ameaça que se aproximava dos orcs foi quebrada e precisará apenas de um impulso final para que seja totalmente destruída. Mas antes...primeiro iremos nos comprometer à causa e receber uma benção em retorno.”
Inclinou-se e pegou um cálice estranho. Parecia ter sido feita do chifre de algum animal, mas Dutoran não se lembrava de um fenoceronte ter um chifre tão grande. Era curvado e amarelo, com alguns adornos e inscrições que brilhavam timidamente. O conteúdo do cálice, seja o que fosse, também brilhava. Assim que Gul’dan segurou perante a si, uma luz amarela esverdeada horripilante iluminou seu rosto, criando sombras grotescas.
“Esta é a Taça da Unificação.” reverenciou Gul’dan. “É o Cálice do Renascimento. Ofereço-o ao líder de cada clã, e este pode oferecê-lo a qualquer um de seu clã que queira ver abençoado pelos seres que foram tão bons conosco. Quem virá primeiro jurar sua lealdade e receber a dádiva?”
Gul’dan virou-se em direção a Blackhand. Este sorriu e ia começar a falar quando uma voz selvagem e familiar cortou o ar.
Não pensou Durotan. Não...ele não.
Draka apertou seu braço com força. “Vai avisá-lo?”
A garganta de Durotan travou. Não conseguia falar. Então decidiu: Não. Antes considerava o líder magro, mas imponente, como um amigo. Mas não poderia arriscar revelar tudo o que sabia.
Nem mesmo por Grom Hellscream.
Levantou a mão e apontou a sombria montanha distante, que se projetava no céu e soprava fumaça negra.
“Será nosso primeiro destino. Subiremos até a montanha...e o que acontecerá lá será lembrado por milhares de anos. Será o tempo no qual os orcs conhecerão poder que nunca antes provaram.”
Parou para que pudessem processar o que foi dito e ficou feliz com o murmúrio causado.
Durotan ficou tenso. Então...seria hoje...
Conhecido por não falar mais do que era necessário, Blackhand terminou o discurso com, “Vamos!”
A Horda avançou ansiosamente, curiosa e animada com as palavras do seu chefe. Durotan olhou rápido para Draka, que acenou em apoio ao seu plano. Finalmente, forçando para mover-se, ele seguiu, pego pela maré de orcs.
A meio caminho da montanha havia uma trilha íngreme e estreita que levava a um grande platô. Para Durotan, era como se esse pedaço tivesse sido cortado com uma espada, de tão anormal. Arrepiou só de pensar. Nos últimos dias, nada de natural aconteceu na vida dele. Três grandes placas de pedra negra e polida estavam parcialmente encaixadas no chão, dispostas em sequência. Eram, ao mesmo tempo, belas e sinistras. Os orcs estavam cansados depois da subida sob o sol forte, vestidos com armadura e carregando suprimentos e tentou encontrar alguma lógica nisso. Não parecia racional deixar os guerreiros exaustos pouco antes da batalha. Talvez ela fosse acontecer na manhã seguinte, depois de descansar.
Para sua surpresa, logo após todos estarem acomodados e quietos, quem começou a falar foi Gul’dan, e não Blackhand.
“Não faz muito tempo que éramos um povo disperso.” começou o bruxo. “Reuníamo-nos só duas vezes ao ano apenas para cantar, dançar, tocar tambor e caçar.”
Disse essas palavras com desdém. Durotan baixou a cabeça. Os clãs se reuniam durante festival Kosh’harg fazia séculos. Não era algo tolo, como estava implícito pelo tom de voz de Gul’dan, mas sagrado e poderoso. Prevenia ataque entre os clãs, mas, pela reação dos orcs a sua volta , parecia que havia acontecido há décadas. Eles também grunhiam em reprovação e balançavam a cabeça, envergonhados. Inclusive aqueles que haviam sido xamãs.
“Olhe para nós agora! Estamos lado a lado. O clã Laughing Skull junto ao Dragonmaw; Thunderlord junto ao Warsong. Todos sob uma liderança forte e perspicaz de Blackhand – escolhido por vocês para unifica-los. Por Blackhand!”
Gritos de satisfação ecoavam pela plateia. Durotan e Draka ficaram em silêncio.
“Ante sua orientação sagaz, e benfeitoria dos seres que escolheram aliarem-se a nós, estamos fortalecidos. Tornamo-nos mais gloriosos. Nos últimos dois anos, progredimos mais em habilidade e tecnologia do que em dois séculos. A ameaça que se aproximava dos orcs foi quebrada e precisará apenas de um impulso final para que seja totalmente destruída. Mas antes...primeiro iremos nos comprometer à causa e receber uma benção em retorno.”
Inclinou-se e pegou um cálice estranho. Parecia ter sido feita do chifre de algum animal, mas Dutoran não se lembrava de um fenoceronte ter um chifre tão grande. Era curvado e amarelo, com alguns adornos e inscrições que brilhavam timidamente. O conteúdo do cálice, seja o que fosse, também brilhava. Assim que Gul’dan segurou perante a si, uma luz amarela esverdeada horripilante iluminou seu rosto, criando sombras grotescas.
“Esta é a Taça da Unificação.” reverenciou Gul’dan. “É o Cálice do Renascimento. Ofereço-o ao líder de cada clã, e este pode oferecê-lo a qualquer um de seu clã que queira ver abençoado pelos seres que foram tão bons conosco. Quem virá primeiro jurar sua lealdade e receber a dádiva?”
Gul’dan virou-se em direção a Blackhand. Este sorriu e ia começar a falar quando uma voz selvagem e familiar cortou o ar.
Não pensou Durotan. Não...ele não.
Draka apertou seu braço com força. “Vai avisá-lo?”
A garganta de Durotan travou. Não conseguia falar. Então decidiu: Não. Antes considerava o líder magro, mas imponente, como um amigo. Mas não poderia arriscar revelar tudo o que sabia.
Nem mesmo por Grom Hellscream.
O chefe do clã Warsong abriu caminho na multidão e ficou a frente de Gul’dan. Blackhand ficou um pouco incomodado. Esperavam que o Chefe Guerreiro fosse o primeiro a beber.
“Sempre soube aproveitar as oportunidades, estimado Grom.” sorriu Gul’dan, entregando o cálice repleto de líquido verde. Ondas de calor e luz subiram e fizeram da face do chefe – lapidada para inspirar medo nos inimigos e respeito nos aliados – parecer mais terrível.
Grom não hesitou. Pegou o cálice e bebeu com intensidade. Durotan observou, esforçando-se para ver a reação. No final das contas, talvez alguém sem boas intenções tenha enviado a carta; quem sabe não fosse uma armadilha...
Gul’dan mal teve tempo de tirar o cálice antes de Grom começar a tremer e endurecer. Dobrou o corpo para frente e já se podiam ouvir sussurros de preocupação. Durotan fitava, horrorizado, o corpo do orc sacudir e arquejar. Seus ombros, esguios para um orc, alargaram-se diante dos olhos de Durotan. A armadura rachou com o novo corpo desenvolvido. Grom endireitou-se. Já alto, agora estava remodelado pelo líquido verde para ficar mais forte e musculoso. Olhou para a multidão.
O que pôde ver foi um semblante saudável, suave e, tirando a tatuagem preta no maxilar...completamente verde.
Grom jogou a cabeça para trás e berrou. Foi o grito mais alto que Durotan havia ouvido. Tapou os ouvidos, assim como a maioria havia feito, mas ainda olhava a expressão de Hellscrem.
Seus olhos brilhavam vermelhos.
“Como se sente, Grom Hellscream do clã Warsong?” perguntou Gul’dan com suavidade.
A fisionomia de euforia era tão aguçada que parecia dor, e tentava achar as palavras. “Sinto-me...magnífico! Sinto...”. Parou de falar e gritou pela terceira vez, como se apenas isso respondesse a pergunta. “Quero carne draenei para rasgar e despedaçar! Sangue draenei no meu rosto...beberei até não aguentar mais!
Quero seu sangue!”
Seu peito arfava de paixão pelas emoções e estava com os punhos cerrados. Parecia estar preparado para atacar uma cidade inteira com as mãos vazias...e Durotan achou que ele seria vencedor dessa batalha. Voltou-se para seu clã.
“Vozes do Warsong! Adiante! Não negarei esse êxtase a nenhum de vocês!”
Os guerreiros apressaram-se, sedentos para sentir o que seu chefe estava sentindo. A taça foi passada a todos e cada um bebeu. Tremeram de dor aguda por um momento; e passavam para o deleite total e aumento da força física. E os olhos de todos aqueles que beberam, tornaram-se vermelho flamejante.
A testa de Blackhand estava ficando franzida. Quando o último orc Warsong bebeu da taça, ele grunhiu. “Eu beberei agora!” exigiu, agarrando-a e tomando um grande gole. Apertou a garganta, mas permaneceu quieto enquanto a magia negra fazia seu trabalho. Removeu a armadura e seus músculos cresceram sob a pele esverdeada. Os olhos vermelhos brilharam quando abriu os olhos. Gesticulou para seus filhos, Rend e Maim, que atropelaram os orcs a sua frente para atender ao chamado de seu pai. Durotan viu que Griselda, filha de Blackhand, hesitou, até que tomou coragem e avançou para tomar o líquido. Blackhand desdenhou.
“Você não,” rosnou. A jovem recuou, assustada. Durotan, que sempre gostou da garota, suspirou aliviado. Apesar de a intenção ter sido humilhá-la, involuntariamente, deu a ela um precioso presente. Virou-se para Orgrim.
“Venha, meu amigo! Beba comigo!”
Durotan não conseguiu falar, mesmo vendo seu melhor e mais antigo amigo ser chamado. Felizmente, não foi preciso. Orgrim inclinou a cabeça.
“Não tirarei sua glória, meu chefe. Sou segundo em comando, e não chefe. Não tenho pretensões para tomar seu lugar.”
Durotan curvou aliviado. Orgrim sentiu algo errado, mesmo não tendo sido avisado como Durotan foi. Não era tolo. Não iria vender sua alma para ter esse tipo de poder que atormenta o corpo e faz os olhos arderem com um brilho sinistro.
Agora os outros líderes enfileiravam-se, ansiosos pela benção que foi concedida aos dois chefes mais respeitados por todos. Durotan não se mexeu. Drek’Thar sussurrou, “Meu chefe, não deseja receber essa benção?”
“Não. E não permitirei que ninguém do meu clã beba desse líquido.”
Drek’Thar piscou, chocado. “Mas...Durotan, obviamente essa bebida concede grande poder e ardor! Seria um tolo se não bebesse!”
“Sempre soube aproveitar as oportunidades, estimado Grom.” sorriu Gul’dan, entregando o cálice repleto de líquido verde. Ondas de calor e luz subiram e fizeram da face do chefe – lapidada para inspirar medo nos inimigos e respeito nos aliados – parecer mais terrível.
Grom não hesitou. Pegou o cálice e bebeu com intensidade. Durotan observou, esforçando-se para ver a reação. No final das contas, talvez alguém sem boas intenções tenha enviado a carta; quem sabe não fosse uma armadilha...
Gul’dan mal teve tempo de tirar o cálice antes de Grom começar a tremer e endurecer. Dobrou o corpo para frente e já se podiam ouvir sussurros de preocupação. Durotan fitava, horrorizado, o corpo do orc sacudir e arquejar. Seus ombros, esguios para um orc, alargaram-se diante dos olhos de Durotan. A armadura rachou com o novo corpo desenvolvido. Grom endireitou-se. Já alto, agora estava remodelado pelo líquido verde para ficar mais forte e musculoso. Olhou para a multidão.
O que pôde ver foi um semblante saudável, suave e, tirando a tatuagem preta no maxilar...completamente verde.
Grom jogou a cabeça para trás e berrou. Foi o grito mais alto que Durotan havia ouvido. Tapou os ouvidos, assim como a maioria havia feito, mas ainda olhava a expressão de Hellscrem.
Seus olhos brilhavam vermelhos.
“Como se sente, Grom Hellscream do clã Warsong?” perguntou Gul’dan com suavidade.
A fisionomia de euforia era tão aguçada que parecia dor, e tentava achar as palavras. “Sinto-me...magnífico! Sinto...”. Parou de falar e gritou pela terceira vez, como se apenas isso respondesse a pergunta. “Quero carne draenei para rasgar e despedaçar! Sangue draenei no meu rosto...beberei até não aguentar mais!
Quero seu sangue!”
Seu peito arfava de paixão pelas emoções e estava com os punhos cerrados. Parecia estar preparado para atacar uma cidade inteira com as mãos vazias...e Durotan achou que ele seria vencedor dessa batalha. Voltou-se para seu clã.
“Vozes do Warsong! Adiante! Não negarei esse êxtase a nenhum de vocês!”
Os guerreiros apressaram-se, sedentos para sentir o que seu chefe estava sentindo. A taça foi passada a todos e cada um bebeu. Tremeram de dor aguda por um momento; e passavam para o deleite total e aumento da força física. E os olhos de todos aqueles que beberam, tornaram-se vermelho flamejante.
A testa de Blackhand estava ficando franzida. Quando o último orc Warsong bebeu da taça, ele grunhiu. “Eu beberei agora!” exigiu, agarrando-a e tomando um grande gole. Apertou a garganta, mas permaneceu quieto enquanto a magia negra fazia seu trabalho. Removeu a armadura e seus músculos cresceram sob a pele esverdeada. Os olhos vermelhos brilharam quando abriu os olhos. Gesticulou para seus filhos, Rend e Maim, que atropelaram os orcs a sua frente para atender ao chamado de seu pai. Durotan viu que Griselda, filha de Blackhand, hesitou, até que tomou coragem e avançou para tomar o líquido. Blackhand desdenhou.
“Você não,” rosnou. A jovem recuou, assustada. Durotan, que sempre gostou da garota, suspirou aliviado. Apesar de a intenção ter sido humilhá-la, involuntariamente, deu a ela um precioso presente. Virou-se para Orgrim.
“Venha, meu amigo! Beba comigo!”
Durotan não conseguiu falar, mesmo vendo seu melhor e mais antigo amigo ser chamado. Felizmente, não foi preciso. Orgrim inclinou a cabeça.
“Não tirarei sua glória, meu chefe. Sou segundo em comando, e não chefe. Não tenho pretensões para tomar seu lugar.”
Durotan curvou aliviado. Orgrim sentiu algo errado, mesmo não tendo sido avisado como Durotan foi. Não era tolo. Não iria vender sua alma para ter esse tipo de poder que atormenta o corpo e faz os olhos arderem com um brilho sinistro.
Agora os outros líderes enfileiravam-se, ansiosos pela benção que foi concedida aos dois chefes mais respeitados por todos. Durotan não se mexeu. Drek’Thar sussurrou, “Meu chefe, não deseja receber essa benção?”
“Não. E não permitirei que ninguém do meu clã beba desse líquido.”
Drek’Thar piscou, chocado. “Mas...Durotan, obviamente essa bebida concede grande poder e ardor! Seria um tolo se não bebesse!”
Durotan balançou a cabeça, relembrando do conteúdo da carta. Teve suas dúvidas no começo, mas agora tinha certeza. “Seria um tolo se bebesse.” disse em voz baixa, e quando o ex-xamã fez menção de protestar, foi silenciado com um olhar de seu chefe.
Inesperadamente, as palavras do profeta Velen vieram a sua mente: Não vender nosso povo a escravidão foi uma escolha, e por isso fomos exilados. Durotan sabia que os orcs que beberam desse cálice, já não eram donos de si mesmos, Gul’dan fez o mesmo que os líderes dos draenei haviam feito. Vendido seu povo, transformando-os em escravos. A história estava se repetindo; agora era Durotan que desafiava seus líderes pelo bem de seu povo. Talvez ele e seu clã, como os draenei, seriam em breve “os exilados”. Não importava. Estava fazendo o certo. Percebeu que todos os líderes de clã, exceto ele, haviam bebido e o momento que tanto temia havia chegado.
Gul’dan acenou para ele. “O poderoso Durotan! O herói de Telmor!” Durotan esforçou para permanecer firme. “Junte-se aos outros chefes. Beba sua parte no cálice.”
“Não Gul’dan, não irei.”
Conseguiu ver, iluminado pelas tochas, um músculo no canto do olho do bruxo tremer.
“Recusa-se? Acha ser melhor do que os outros? Não acha necessária essa benção?”
Os outros chefes estavam com as testas franzidas, ofegantes e com suor escorrendo pelas sobrancelhas.
Durotan não mordeu a isca. “É minha decisão.”
“Talvez os membros do seu clã pensem diferente.” disse, expandindo os braços, incluindo todos do clã Frostwolf. “Deixará que eles bebam?”
“Não. Sou o chefe do clã Frostwolf e essa é minha escolha.”
Gul’dan desceu do tablado e correu para junto de Durotan e sussurrou. “O que você sabe e como descobriu?”
Apesar de ser um ato intimidador, Durotan encheu-se de esperança. O bruxo sentiu-se ameaçado. Porém, ao invés de enviar um assassino despachar alguém que o incomodava, estava tentando ameaça-lo e submetê-lo. Havia acabado de confirmar as informações contidas na carta e revelado que não fazia ideia do autor. Podia sobreviver a esse episódio e ainda proteger seu clã.
“Sei o suficiente. E nunca saberá como descobri.” sussurrou em resposta.
Gul’dan afastou-se e forçou um sorriso. “Certamente que a escolha é sua, Durotan filho de Garad. E se prefere renegar essa benção, deve então sofrer as consequências.”
Eram palavras em duplo sentido, mas não importava. Iria se preocupar com o que o bruxo poderia fazer com ele outro dia.
Não esta noite.
Gul’dan voltou para onde estava e gritou para a multidão. “Todos aqueles que desejaram a benção do poderoso Kil’jaeden, nosso bem feitor, a receberam. Considerem esse local como solo sagrado, pois aqui os orcs tornaram-se algo muito maior do que quando nasceram. Pensem nessa montanha como o trono de Kil’jaeden, onde fica enquanto cuida e abençoa os orcs.”
Afastou-se e acenou para Blackhand. Com os olhos vermelhos, armadura refletindo o brilho das tochas, Blackhand levantou as mãos e gritou, “Hoje faremos história. Hoje, atacaremos a única fortaleza inimiga restante. Iremos cortá-los ao meio. Iremos nos banhar em seu sangue. Iremos assaltar as ruas da sua capital, seremos seu pior pesadelo. Sangue e trovão! Vitória para a Horda!”
Durotan estava perplexo. Esta noite? Não haviam discutido estratégias. Não estavam falando de uma vila ou aldeia, mas da capital draenei. Era o último refúgio dos draenei e certamente lutariam com mais garra do que nunca, como animais encurralados. Lembrou que Blackhand mandou remover as máquinas de guerra – mas para onde, ninguém sabia.
Loucura. Isso é loucura.
E ao ver os companheiros gritando a sua volta, pares de olhos brilhando escarlate, e percebeu que a palavra loucura nunca foi tão verdadeira.
Aqueles que beberam do cálice corrompido enlouqueceram. Hellscream dançava próximo à fogueira, exibindo seus braços agora musculosos, as luzes brincando com a pele que antes era castanha e tornou-se verde. Enjoado e zonzo, lembrou-se das criaturas que os bruxos controlavam, pois os olhos tinham a mesma coloração; o tom de pele verde que havia acometidos os bruxos, agora maculou a pele de Durotan e daquela que mais amava na vida.
Pensou na carta, escrita em língua arcaica, que era ensinada a poucos – os xamãs e os líderes de clã.
Pedirão para que beba. Recuse-se. É o sangue de almas distorcidas, e distorcerá a sua e de todos que a absorverem. Escravizará a todos para sempre. Por todos que mais ama, recuse.
“Almas distorcidas” era grafada como uma única palavra na língua arcaica.
O fluido que passara pelos lábios daqueles que eram amigos e inimigos de Durotan era sangue desse ser. E Durotan assistiu as almas distorcidas que os orcs haviam se transformados, começarem a dançar como insanos à luz das tochas antes de correrem montanha abaixo, dominados por uma fúria e energia anormal, atacar a cidade mais fortificada que o mundo havia visto.
Almas distorcidas.
Dae’mons.
Demons.
Demônios.
Inesperadamente, as palavras do profeta Velen vieram a sua mente: Não vender nosso povo a escravidão foi uma escolha, e por isso fomos exilados. Durotan sabia que os orcs que beberam desse cálice, já não eram donos de si mesmos, Gul’dan fez o mesmo que os líderes dos draenei haviam feito. Vendido seu povo, transformando-os em escravos. A história estava se repetindo; agora era Durotan que desafiava seus líderes pelo bem de seu povo. Talvez ele e seu clã, como os draenei, seriam em breve “os exilados”. Não importava. Estava fazendo o certo. Percebeu que todos os líderes de clã, exceto ele, haviam bebido e o momento que tanto temia havia chegado.
Gul’dan acenou para ele. “O poderoso Durotan! O herói de Telmor!” Durotan esforçou para permanecer firme. “Junte-se aos outros chefes. Beba sua parte no cálice.”
“Não Gul’dan, não irei.”
Conseguiu ver, iluminado pelas tochas, um músculo no canto do olho do bruxo tremer.
“Recusa-se? Acha ser melhor do que os outros? Não acha necessária essa benção?”
Os outros chefes estavam com as testas franzidas, ofegantes e com suor escorrendo pelas sobrancelhas.
Durotan não mordeu a isca. “É minha decisão.”
“Talvez os membros do seu clã pensem diferente.” disse, expandindo os braços, incluindo todos do clã Frostwolf. “Deixará que eles bebam?”
“Não. Sou o chefe do clã Frostwolf e essa é minha escolha.”
Gul’dan desceu do tablado e correu para junto de Durotan e sussurrou. “O que você sabe e como descobriu?”
Apesar de ser um ato intimidador, Durotan encheu-se de esperança. O bruxo sentiu-se ameaçado. Porém, ao invés de enviar um assassino despachar alguém que o incomodava, estava tentando ameaça-lo e submetê-lo. Havia acabado de confirmar as informações contidas na carta e revelado que não fazia ideia do autor. Podia sobreviver a esse episódio e ainda proteger seu clã.
“Sei o suficiente. E nunca saberá como descobri.” sussurrou em resposta.
Gul’dan afastou-se e forçou um sorriso. “Certamente que a escolha é sua, Durotan filho de Garad. E se prefere renegar essa benção, deve então sofrer as consequências.”
Eram palavras em duplo sentido, mas não importava. Iria se preocupar com o que o bruxo poderia fazer com ele outro dia.
Não esta noite.
Gul’dan voltou para onde estava e gritou para a multidão. “Todos aqueles que desejaram a benção do poderoso Kil’jaeden, nosso bem feitor, a receberam. Considerem esse local como solo sagrado, pois aqui os orcs tornaram-se algo muito maior do que quando nasceram. Pensem nessa montanha como o trono de Kil’jaeden, onde fica enquanto cuida e abençoa os orcs.”
Afastou-se e acenou para Blackhand. Com os olhos vermelhos, armadura refletindo o brilho das tochas, Blackhand levantou as mãos e gritou, “Hoje faremos história. Hoje, atacaremos a única fortaleza inimiga restante. Iremos cortá-los ao meio. Iremos nos banhar em seu sangue. Iremos assaltar as ruas da sua capital, seremos seu pior pesadelo. Sangue e trovão! Vitória para a Horda!”
Durotan estava perplexo. Esta noite? Não haviam discutido estratégias. Não estavam falando de uma vila ou aldeia, mas da capital draenei. Era o último refúgio dos draenei e certamente lutariam com mais garra do que nunca, como animais encurralados. Lembrou que Blackhand mandou remover as máquinas de guerra – mas para onde, ninguém sabia.
Loucura. Isso é loucura.
E ao ver os companheiros gritando a sua volta, pares de olhos brilhando escarlate, e percebeu que a palavra loucura nunca foi tão verdadeira.
Aqueles que beberam do cálice corrompido enlouqueceram. Hellscream dançava próximo à fogueira, exibindo seus braços agora musculosos, as luzes brincando com a pele que antes era castanha e tornou-se verde. Enjoado e zonzo, lembrou-se das criaturas que os bruxos controlavam, pois os olhos tinham a mesma coloração; o tom de pele verde que havia acometidos os bruxos, agora maculou a pele de Durotan e daquela que mais amava na vida.
Pensou na carta, escrita em língua arcaica, que era ensinada a poucos – os xamãs e os líderes de clã.
Pedirão para que beba. Recuse-se. É o sangue de almas distorcidas, e distorcerá a sua e de todos que a absorverem. Escravizará a todos para sempre. Por todos que mais ama, recuse.
“Almas distorcidas” era grafada como uma única palavra na língua arcaica.
O fluido que passara pelos lábios daqueles que eram amigos e inimigos de Durotan era sangue desse ser. E Durotan assistiu as almas distorcidas que os orcs haviam se transformados, começarem a dançar como insanos à luz das tochas antes de correrem montanha abaixo, dominados por uma fúria e energia anormal, atacar a cidade mais fortificada que o mundo havia visto.
Almas distorcidas.
Dae’mons.
Demons.
Demônios.
Continue lendo "Ascensão da Horda Capítulo 20".
fonte de imagem: arquivo pessoal
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fonte de imagem: blizzard - acesso em 02.jan.2014
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fonte de tradução: World of Warcraft: Rise of the Horde (No. 4) - 2006
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