domingo, 3 de maio de 2015

Entrevista Demo

Foto do Demo narrador de Heroes of the Storm


Hoje o CojanoWow traz uma entrevista super legal com um dos narradores de Heroes of the Storm no Brasil. Vamos conhecer um pouco mais do Demo da página Demo e-Sports.

COJANOWOW (CNW): Apresente-se pra galera. Fale um pouco de sua história e do seu trabalho como Narrador de Heroes of the Storm.

DEMO: Olá, meu nome é Guilherme Ono, mais conhecido como DeMo pela comunidade. Minha história no eSports começa em 2011, quando resolvi fazer um blog sobre StarCraft 2 com um amigo meu e escrever nossas opiniões sobre o jogo, análise de partidas e acontecimentos no cenário mundial. Até que um belo dia recebemos uma mensagem do Gruntar nos convidando para sermos redatores para o site dele. Eu aceitei na hora, mas meu amigo, infelizmente, não acreditou muito na idéia. Desde então eu escrevi matérias sobre StarCraft para o Gruntar, mas com a condição de que eu seria parceiro de narração dele, quando ele me julgasse pronto. Escrevi diversas matérias para ele, cobri eventos como WCS Brasil, WCS América do Sul, Intel Extreme Masters e por aí vai, mas em 2012 surgiu a oportunidade de narrar um torneio para ligas baixas de StarCraft 2, criação do Havoc, também membro da equipe do Gruntar. Minha narração foi péssima, porém continuei treinando e estudando o jogo, observando outros narradores e fui melhorando. Tempo depois o Gruntar me chamou para narrar um campeonato com ele e a resposta do público foi ótima. Adoraram a nossa parceria e, assim, formamos uma dupla de narração, chegando a narrar Intel Extreme Masters, Copa América de StarCraft 2 e DreamHck. 

Como eu já tinha essa experiência com o StarCraft, quando o Heroes foi anunciado, meu interesse em narrar foi imediato. Tentei pegar o acesso ao ALPHA o mais rápido possível e já fui pensando em idéias em relação à produção de conteúdo. Coloquei quase todas elas em prática, divulguei massivamente nos grupos de facebook, twitter, fóruns e mostrando minha cara a essa nova comunidade. Acho que está dando certo até agora.

CNW: Porque você escolheu narrar Heroes of the Storm?

DEMO: Como diz o ditado: "Não ponha seus ovos em uma mesma cesta.". Ainda mais no Brasil onde só o League of Legends tem um cenário bem desenvolvido em que os membros podem se dedicar 100% a isso.

Heroes me pareceu uma boa saída, pois é um jogo em equipe, estilo de jogo que o mundo inteiro prefere, desenvolvido pela Blizzard, com quem eu já tinha um contato mais próximo, e um MOBA, o genêro de eSports em voga atualmente. E conforme eu fui me divertindo muito jogando e conhecendo mais o jogo, percebi que foi a escolha certa.

CNW: Para você, qual o maior problema em narrar HOTS?

DEMO: O maior problema em narrar o Heroes é o ritmo do jogo. Por ser muito rápido, não há tempo suficiente para parar e analisar mais friamente algumas informações que vemos na tela e tentar passar isso da melhor forma para o público. A narração e os comentários precisam ser praticamente twittadas, o máximo de informação possível em poucas palavras e tentar formular isso durante a partida com a velocidade que mencionei é bem complicado, ainda mais quando você está acostumado com o ritmo de outros jogos.

CNW: Qual a vantagem que Heroes of the Storm tem sobre os outros MOBAS?

DEMO: Heroes corta algumas arestas de outros MOBAS que alguns julgam chatas ou complicadas, como o farm e os itens. Dessa forma o jogador entra nas partidas sem ter que se preocupar em matar o maior número de minions possível e nem ficar perdido olhando aquele número de itens na loja sem saber quais comprar e muito menos em que ordem.

Outra vantagem é a duração das partidas. Com uma média de 20 minutos por partida, no mesmo período que os jogadores fariam uma partida de MOBAS tradicionais, ela fazem 2, 3 ou até mesmo 4 partidas de Heroes. Isso é excelente para aqueles que tem pouco tempo para por dia para jogar.

CNW: Você acredita que um dia HOTS vá superar MOBAS famosos como DOTA ou LOL?

DEMO: Muita gente me faz essa pergunta e, sinceramente, eu não me importo se Heroes será maior que esses MOBAS ou não. Acredito que ele tem potencial para ser gigante, mas se vai superar DOTA ou LOL são outros quinhentos. Só quero que Heroes tenha um cenário saudável e por saudável eu quero dizer um cenário em que narradores, jogadores, organizações, studios, produtores de conteúdo tenham o seu espaço, possam se dedicar a isso e fazer carreira dentro desse eSport.

CNW: Você acredita que os jogadores brasileiros tem potencial para competir com estrangeiros? Pra você, quais as maiores dificuldades para um jogador brasileiro se tornar um jogador competitivo oficialmente?

DEMO: Claro que eles tem potencial, só precisam estudar mais o jogo e suas nuances, desde o draft até as estratégias e táticas aplicadas dentro das partidas.

Para mim, além dos problemas estruturais como conexão de internet, um dos maiores problemas que o brasileiro enfrenta é o tempo. Muita gente não pode dedicar horas do seu dia para jogar, jogar e jogar e melhorar as suas mecânicas e sua percepção do jogo, sendo que isso você só melhora com treino. Mas o maior problema, na minha opinião, é o equilíbrio emocional. O brasileiro tem a tendência de ser imediatista e não costuma absorver bem as falhas, que são completamente normais, no começo da sua trajetória como jogador. Se não há uma recompensa logo de inicio, seja com um bom desempenho ou reconhecimento da comunidade, os jogadores rapidamente desanimam e acabam abandonando o competitivo, sendo que a chave para o sucesso está na persistência. Há incontáveis exemplos no StarCraft em que os jogadores foram atingir o seu ápice e conquistarem campeonatos 3, 4, 5 anos depois de começarem suas carreiras. Há um exemplo brasileiro também que é o Kelazhur, que depois de anos foi contratado pela ROOTGaming.

CNW: A comunidade brasileira de HOTS é mais tóxica que outras estrangeiras? Você acredita que o público brasileiro seja "excluído" em virtudade dos HUE BR?

DEMO: "Nah", todas as comunidades tem os seus "hues". Os latinos, por terem sangue quente, talvez se irritem com mais facilidade e expressem isso no chat ou sistema de voz com mais frequência que os europeus, por exemplo. mas não há como rotular a comunidade brasileiro como a mais tóxica.

Eu, particularmente, acho uma falta de edução extrema as pessoa que entram nos chats gerais de jogos e ficam spammando "BR? BR? BR?" ou ficam conversando em português ali mesmo. Poxa, é um chat geral, ninguém é obrigado a fica recebendo spam ou mensagens de pessoas conversando simplesmente porque elas não tem a decência de ir para um chat reservado. Mas, que eu saiba, outras nacionalidades também já foram rotuladas como tóxicas: russos, ucranianos, peruanos...não é algo exclusivo dos brasileiros hehe.

CNW: Você vê na Blizzard uma empresa empenhada em promover o competitivo de Heroes of the Storm?

DEMO: Sim. No mercado de hoje, não é muito inteligente deixar a comunidade fazer todo o trabalho e esperar o cenário crescer organicamente. Concordo que não há melhor propaganda que o boca a boca, mas a Blizzard precisa tomar a frente se ela quer que seu jogo seja um eSport próspero.

CNW: O que falta em Heroes of the Storm pra você?

DEMO: Eu espero uma melhora nas árvores de talentos. Hoje em dia nem todos os talentos são viáveis, alguns heróis possuem apenas uma build, o que acaba engessando o gameplay e isso vai totalmente contra a filosofia do sistema de talento. Mas o que eu realmente quero são mais heróis que desafiem os jogadores individualmente, algo mais ou menos na linha dos Lost Vikings, heróis que podem ser jogados de forma simples, mas que para extrair o potencial total requerem extrema habilidade.

CNW: Deixa uma mensagem final pra quem te acompanha.

DEMO: Só queria agradecer a comunidade, os meus queridos subscribers, viewers, enfim, todos que me apoiam,por me incentivarem a continuar trabalhando com eSports e vejam vocês no Nexus. Abraços!

Nós do Cojanowow agradecemos pela entrevista Demo. Deixo abaixo todos os links onde todos podem encontrar o Demo pela internet:



Até a próxima.


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